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Harry Anslinger: o homem que demonizou a maconha em 1937

Quem foi Harry Anslinger?

Harry Anslinger foi um administrador de empresas norte americano, que trabalhava em Washington na década de 20, mais precisamente no escritório responsável pela proibição do álcool nos EUA.

Com o fim da proibição do álcool em 1933, todos os burocratas responsáveis pela proibição, viram seus cargos ameaçados, todos corriam grande risco de perder seus empregos.

Anslinger logo se transferiu para outra agência governamental, o FBN – Escritório Federal de Narcóticos – tornando-se comissário do escritório. A mídia o chamava de “czar antidrogas dos EUA.”

Porque ele quis proibir a maconha?

O FBN tinha menos funcionários e um orçamento muito menor do que a agência que lidava com o álcool, já que as outras drogas, como a morfina e opiáceos, não eram tão populares e não representavam uma ameaça para a sociedade naquela época.

Para garantir mais dinheiro para a FBN, Anslinger resolveu introduzir a maconha no cardápio de drogas proibidas. Essa sim era uma droga popular entre os imigrantes mexicanos.

Como Anslinger conseguiu tamanha façanha?

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Recortes de jornais com campanhas anti-maconha nos EUA

No início do século XX, a maconha era liberada em todo o mundo, inclusive no país de origem de Anslinger, era usada como matéria prima para produzir têxteis e diversos outros produtos.

Ele começou sua campanha de proibição da erva, da maneira mais certeira possível, contou com a ajuda da imprensa e começou a disseminar falsas informações e notícias trágicas, sempre ligando a maconha como responsável por tudo aquilo, desde roubos, suicídios estupros e assassinatos.

Os jornais publicavam que a maconha fazia com que as moças da época se entregassem aos desejos sexuais e se relacionavam com homens de cor, deixando claro que os motivos da proibição eram preconceitos e interesses financeiros.

Os jornais achavam interessante publicar aquelas matérias, pois achavam que estavam protegendo os jovens da pior das drogas, a marijuana, nome dado para a maconha, por ser uma droga que entrava nos EUA através das fronteiras mexicanas e ter entre a maioria dos seus usuários os imigrantes daquele país.

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Pronto, estava formada a opinião pública a respeito da erva, a maconha era o mal da humanidade. Anslinger conseguiu demonizá-la em todo território nacional com suas notícias mirabolantes, uma delas começava assim: “O corpo espalhado de uma jovem menina repousava na calçada, na manhã seguinte de seu mergulho do quinto andar de um prédio de apartamentos de Chicago.

Todos disseram que foi suicídio, mas na verdade foi homicídio. O assassino é um narcótico usado na forma de cigarros, relativamente novo nos EUA e tão perigoso quanto uma cascavel em posição de ataque. O Nome do assassino? Marijuana.”

Com várias notícias como a citada acima em mãos, Anslinger foi ao Congresso Nacional tentar convencer os políticos de que a maconha era uma droga pior que a heroína e o ópio, e assim conseguir mais recursos para a FBN.

Deu certo, a maconha passou a ser proibida no ano de 1937 em todo território dos Estados Unidos.

Anslinger era casado com a sobrinha do dono da petrolífera Gulf Oil, ao perceber que a maconha também era grande concorrente dos derivados do petróleo, começou a lutar incansavelmente pela proibição da maconha industrial e medicinal.

Assim a indústria do petróleo se estabeleceu definitivamente.

Como a proibição se espalhou pelo mundo?

Por décadas ele defendeu uma política de drogas radical e violenta em todo o mundo. Depois da segunda guerra mundial, o poder dos Estado Unidos foi as alturas, devido a seu papel heróico na vitória sobre Hitler.

Foi justamente nessa época que Anslinger triunfou mais uma vez. Em 1961, a Convenção Única Sobre Drogas Narcóticas foi assinada e todo o planeta se comprometeu a combater as drogas nos termos de Anslinger. Assim foram os primórdios da atual e fracassada Guerra as drogas.

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