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Entenda como o cultivo caseiro de maconha salva vidas e combate o tráfico de drogas

A ONU estima que existam aproximadamente 243 milhões de usuários de drogas ilícitas no mundo, dos quais pelo menos 200 milhões são usuários de maconha.

O World Drug Report  mostra o Brasil como um dos maiores consumidores de maconha do mundo. O UNODC calculou que, em 2012 (período em que o estudo foi realizado) 8,8% da população brasileira consumiu ao menos uma vez maconha, ou seja, aproximadamente 17,6 milhões de pessoas.

Confira o mapa mundi da UNODOC (United Nations Office on Drugs and Crime) com dados sobre o consumo de maconha e outras drogas pelo mundo.

Muita gente fica se perguntando, “Como a violência que envolve o tráfico de drogas, irá diminuir com a legalização da maconha?”

Diante dos número passados pela ONU, fica mais fácil entender porque a legalização e regulamentação da maconha diminuiria significativamente o poder do tráfico. Sobrariam 43 milhões de usuários das demais drogas ilícitas pelo mundo e, são muitas as outras drogas ilegais, as mais conhecidas são: crack, cocaína, ecstasy, LSD e heroína. Lidar com 1/5 dos usuários de drogas ilícitas, sairia bem mais barato e fácil, do que lidar com todos os 243 milhões.

O combate armado ao tráfico de drogas, que é uma política falida da guerra às drogas, mata gente todo dia nas periferias do país, tanto do lado dos criminosos, como do lado dos agentes da lei. O número de mortes de civis em ações policiais subiu 97 %, no ano passado no Brasil.

Um exemplo prático, de como a legalização da maconha reduz a violência, é o nosso vizinho Uruguai, que zerou as mortes ligadas ao tráfico, depois da legalização da maconha no ano passado.

Precisamos lutar pelo direito ao cultivo caseiro de maconha e a regulamentação da planta em todos os níveis, medicinal, recreativo e industrial. Mas nesse artigo, vou focar no medicinal e recreativo, já que o industrial não tem ligação com o cultivo caseiro.

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Cultivo caseiro de maconha para fins medicinais

No campo medicinal, o cultivo caseiro de maconha, se descriminalizado e regulamentado, seria uma medida simples, mas que salvaria a vida de muitas pessoas que precisam da planta in natura para se tratar de muitas de doenças, sem depender do monopólio da indústria farmacêutica, que só pretende lucrar e não salvar as vidas das pessoas. A indústria quer isolar e sintetizar os princípios ativos da maconha, assim como já fizeram com o THC em formato de comprimido, conhecido como Marinol, cujo uso é muito mais prejudicial ao organismo, do que a planta em sua forma natural.

Entre as doenças que podem ser tratadas com a maconha in natura, estão: AIDS, câncer, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, síndrome de Tourette, mal de Alzheimer, distrofia muscular, fibromialgia, náusea decorrente da quimioterapia, esclerose múltipla, doença de Crohn, glaucoma, epilepsia, insônia, enxaqueca, artrite e falta de apetite, anorexia, caquexia, esclerose lateral amiotrófica e muitas outras.

Além de tratar essas doenças, um estudo publicado no American Journal of Public Health, diz que a legalização da maconha pode reduzir as taxas de suicídio em 5% na população global e 10% entre jovens do sexo masculino.

cultivo caseiro de maconha medicinal
George Hanamoto inspeciona seus pés de maconha que cultiva junto com sua esposa, na Califórnia. (AP Photo/Rich Pedroncelli)

Cultivo caseiro de maconha para fins recreativos

No campo recreativo, o cultivo caseiro afastaria os usuários das biqueiras e do contato facilitado com outras drogas nas mãos dos traficantes, assim o tráfico sofreria um grande baque financeiro. A  maconha recreativa e medicinal, geraria milhares de empregos nas mais diversas áreas, como já mostramos aqui nesse artigo. Além de melhorar a qualidade de vida dos usuários, que se arriscam indo comprar na mãos de criminosos e acabam usando uma maconha de má qualidade, suja, mofada e as vezes batizada com outras drogas para viciar os usuários.

grow box para cultivo caseiro de maconha
Grow Box destinado ao cultivo caseiro de plantas, muito usado para cultivar maconha dentro de casa.

A economia sofreria um impacto positivo e geraria um grande montante de dinheiro em impostos, que poderia ser retornado para a população, investindo na educação, na saúde e políticas de prevenção ao uso de drogas e redução de danos.

É preciso rever a atual política de drogas, ela não deu certo, muito pelo contrário. Temos que levar informação e fatos que estão acontecendo nos países onde a maconha já foi legalizada, ao maior número possível de pessoas, para que a mentalidade da nossa sociedade mude em relação a esse tema, que é muito polêmico e divide muitas opiniões. Só assim conseguiremos avançar. É de grande importância fazer com que o povo tenha consciência do poder de tratamento e cura que maconha tem, a sua capacidade de salvar e melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.

A guerra às drogas fracassou em diminuir a violência e fracassou em inibir o uso de drogas mais prejudiciais. A guerra cria o crime, a legalização combate o crime, salva vidas e gera empregos.

 

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