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A porta de entrada para outras drogas é o álcool e não a maconha

O Dr. Kevin Hill, diretor do Hospital Psiquiátrico McLean em Massachusetts e professor assistente de psiquiatria na Universidade de Harvard, disse que o hábito de fumar maconha não influencia, necessariamente, na dependência de outras drogas no futuro, contradizendo a teoria de senso comum que diz que a maconha é a ‘porta de entrada’ para drogas pesadas.

Hill respondeu algumas perguntas sobre maconha no Reddit e compartilhou sua opinião sobre o assunto com os internautas.

Quando questionado sobre a afirmação de que a maconha é uma porta de entrada e poderia levar os usuários a usarem outras drogas mais prejudiciais e viciantes,  o Dr. Hill disse: “Eu acho que, quando as pessoas dizem ‘porta de entrada’, isso implica em uma relação causal. Se você fuma maconha, automaticamente se tornará viciado em outras drogas no futuro”.

“Eu não penso dessa forma. As pessoas que têm problemas de dependência, dos 25 aos 45 anos de idade, frequentemente relatam o uso inicial de maconha, álcool ou nicotina ainda muito cedo em suas vidas. Acho, então, que o uso precoce de qualquer umas dessas substâncias, pode aumentar a probabilidade de dependência no futuro. Sendo assim, qualquer uso de drogas entre os jovens deve ser levado em consideração. Mas eu não acho que o uso precoce de maconha faça com que um jovem adolescente esteja condenado a ser um viciado.”

Atualmente existem várias pesquisas conflitantes sobre as ligações entre a cannabis e a dependência subseqüente de drogas mais pesadas, como a cocaína ou heroína.

Michelle Taylor, uma pesquisadora da cannabis da Universidade de Bristol, escreveu no The Guardian, que os estudos que mostram essas ligações, muitas vezes “fornecem apenas evidências de associação e não de causalidade, o que significa que não há nenhuma evidência de que o consumo de cannabis, na verdade, faça com que as pessoas usem outras drogas mais tarde.”

O site referência em saúde no Reino Unido NHS Choice, disse: “A maioria das pessoas que usam drogas mais pesadas como a heroína, usam também a cannabis. Mas apenas uma pequena parcela das pessoas que usam cannabis, passam a usar drogas pesadas. No entanto, comprar maconha coloca os usuários em contato com o comércio de drogas ilícitas, o que torna mais provável a exposição às outras drogas.”

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Os dados de uma pesquisa feita em 2012 nos EUA mostraram que 88% dos usuários tiveram o primeiro contato com as drogas através do álcool.

O consumo de álcool entre os jovens

Segundo a psicóloga Fernanda Vidal, do Núcleo Einstein Álcool e Drogas (NEAD) do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), o álcool é um dos maiores causadores de dependência entre os jovens e o segundo principal problema de saúde pública no Brasil, perdendo somente para o tabaco.

O consumo começa cada vez mais cedo. Uma pesquisa do Centro Brasileiro sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp, revela que 42% das crianças entre 10 e 12 anos já experimentaram algum tipo de álcool.

Assim, a visão da bebida alcoólica como droga merece mais atenção. De acordo com a Drª Vidal, o uso abusivo do álcool pode passar despercebido pelos pais, que geralmente se preocupam mais com as drogas ilícitas, ou seja, proibidas por lei, como a maconha, cocaína, crack e a heroína. “O álcool geralmente é tolerado dentro de casa, a família não se importa muito se o adolescente começa a beber desde cedo”, diz.

O padrão de consumo entre jovens é influenciado por vários fatores: família, mídia, normas culturais ou religiosas, políticas públicas, etc. Existem evidências que a família e os pais influenciam mais significativamente no desenvolvimento do padrão de uso de álcool entre destes jovens. Alem disso, beber na adolescência pode estar ligado ao uso de outras substâncias.

Emocionalmente, eles ainda estão em desenvolvimento, o que pode aumentar os riscos de danos físicos, por exemplo:
1 – Jovens podem ser menos sensíveis para alguns efeitos tóxicos do álcool em comparação aos adultos ou pessoas mais velhas, como resultado, podem beber de maneira mais pesada;
2 – O desenvolvimento das vias neurais dos jovens os deixam mais vulneráveis ao dano podendo levar a problemas cognitivos e outras funções fisiológicas;

Não é recomendado que crianças e adolescentes façam o uso recreativo de nenhum tipo de droga psicoativa, o cérebro ainda está em fase de desenvolvimento e o uso pode causar problemas futuros. Não é uma regra, é uma sugestão a ser seguida, como evitar consumo exagerado de açúcar, que também pode causar problemas de saúde no futuro.

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Lombra Staff

O blog LOMBRA é dedicado a elevar a discussão em torno da cultura canábica.

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