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Legalização da maconha: 8 motivos urgentes para legalizar no Brasil

Você já se pegou andando na rua à noite, quando de repente surgiu uma viatura e ao invés de te passar a sensação de segurança te fez sentir medo? A legalização da maconha no Brasil pode acabar com isso.

Essa é a realidade de muita gente, você não está sozinho. A sensação de medo é comum entre os usuários de drogas ilícitas e moradores das periferias.

É um misto de medo com falta de liberdade.

A proibição da maconha fere diretamente nossos direitos e liberdades individuais. Afinal o corpo e a mente são seus e cabe a você o direito de decidir o que fazer com eles.

A partir do momento que permitimos que o Estado regule o nosso corpo e até nossa mente, perdemos a liberdade.

Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania. Quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade.– Thomas Jefferson

Carregamos a vergonha de ser um dos poucos países da América Latina, ao lado das Guianas e do Suriname, onde o porte de pequenas quantidades de drogas para consumo pessoal ainda é tratado como crime.

Continue lendo para saber o quanto a legalização da maconha trará mudanças positivas para o Brasil.

Descriminalização VS legalização

legalização da maconha no brasil - algemas

Para se ter uma visão mais ampla de tudo que será abordado daqui para frente, é preciso antes compreender a diferença entre descriminalização e legalização:

  • Com a descriminalização, o usuário não fica impune, poderá ter que assistir palestras anti-drogas, pagar multas ou prestar serviços comunitários. Mas ele não responderá mais criminalmente pelo porte de pequenas quantidades. Ninguém mais será fichado ou preso por fumar um baseado.
  • A legalização permite o uso recreativo e/ou medicinal da maconha sem que os usuários ou pacientes sofram qualquer tipo de penalização. Além disso, o Estado passa a regular todas as atividades relacionadas à produção e venda do produto, como acontece com o álcool e o tabaco.

Foi pensando nos nossos direitos e na nossa liberdade, que decidi falar sobre 8 motivos urgentes para a legalização da maconha no Brasil:

  • Diminuição do poder do tráfico
  • Economia de dinheiro gasto com repressão
  • Polícia focar mais em crimes violentos
  • Crescimento da economia e geração de empregos
  • Milhões de pessoas poderão se tratar com maconha medicinal
  • Mais liberdade para cientistas e pesquisadores
  • Restrição a menores de idade
  • Maconha de qualidade para usuários e pacientes

“Existem outros motivos urgentes além destes?” Existem sim.

“Será que estes motivos são tão urgentes assim?” É o que descobriremos, a partir de agora.

1 – Diminuição do poder do tráfico

legalização da maconha no brasil diminui poder do tráfico

O ministro Luís Roberto Barroso do STF acredita que a descriminalização do consumo da maconha, pode levar “a uma política de legalização (das drogas) e eliminação do poder do tráfico“.

Se existe demanda existe oferta, mesmo que seja ilegal. Quem cria o tráfico não são os usuários, é a proibição.

Apesar da proibição, o consumo de drogas nunca diminuiu, pelo contrário.

Para entender como a legalização da maconha no Brasil diminuirá o poder do tráfico, vou dar um exemplo bem conhecido de todos, a carreira de Al Capone e como até hoje as autoridades cometem os mesmos erros do passado.

Como disse Cazuza, “o tempo não para”.

Capone vivia do contrabando de bebidas nos Estados Unidos, na época da Lei Seca. Fez sua carreira no crime e ficou mundialmente conhecido como um empreendedor do mercado ilegal de bebidas, era um ‘traficante de álcool’, o gangster mais respeitado da década de 20.

Era muito rico e comprava qualquer pessoa para que deixassem seu negócio fluir, juízes, policiais e políticos.

O que permitiu Capone acumular tanta riqueza e poder? A proibição do álcool.

Os grandes traficantes e os reais financiadores do tráfico sabem que existe uma grande demanda para o consumo de drogas, assim como Capone, eles querem faturar bastante nesse mercado.

Só a favela da Rocinha no RJ, fatura em média 10 milhões de reais por mês com o tráfico de drogas.

O lucro com o tráfico de maconha ultrapassa os 1.500%, em cima do crack se lucra 272% e com a cocaína 266%.

Sim, a maconha é a droga ilegal que mais rende dinheiro para o tráfico.

Logo, se a maconha for legalizada, o tráfico não será extinto, mas se me permitem o trocadilho, seu poder será reduzido ao pó.

 

2 – Economia de dinheiro gasto com repressão

legalizacao-da-maconha-economiza-dinheiro
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

O tráfico de drogas é o crime que mais encarcera no Brasil.

Desde o surgimento da lei de drogas em 2006, o número de presos por tráfico aumentou 339% e saltou de 31 mil para 138 mil presos.

A pena mínima para tráfico de drogas é de cinco anos, manter um presidiário por cinco anos custa muito para o contribuinte. São 4.475 refeições para um único detento que cumpre pena por tráfico.

O custo mensal com cada detento nas prisões federais é de R$ 3.477,22, o dobro do gasto em prisões estaduais.

Um detento preso em presídio estadual custa 3 vezes mais que um aluno da rede pública.

O simples fato de deter alguém fumando um cigarro de maconha e leva-lo para a delegacia, para assinar um termo circunstanciado, gera um custo processual desnecessário e emperra ainda mais o nosso já precário sistema judiciário.

Drogas devem sair da esfera criminal e ir para a esfera da saúde. Pessoas que fazem o uso abusivo de drogas não devem ser tratadas como criminosas e sim como pessoas que precisam de ajuda médica e psicológica.

O dinheiro economizado com a repressão aos usuários e combate ao tráfico, poderia ser investido em educação, redução de danos e reabilitação de dependentes.

Somado a isso, ainda teríamos o dinheiro arrecadado com os impostos da venda da maconha legalizada, que iremos falar mais adiante no tópico sobre crescimento da economia e geração de empregos.

 

3 – Polícia focará mais em crimes violentos

legalização da maconha no brasil policia focará mais em crimes violentos
Foto: Pedro Ventura/ GDF

Prender vapor e pequenos traficantes é fácil. Quero ver prender dono de helicóptero carregado com milhões de reais em pasta base de cocaína.

Nossa polícia enxuga gelo todo dia. O combate ao tráfico nunca funcionou, nunca trouxe resultados positivos, nunca diminuiu o consumo e ainda ajudou a criar gangues, facções e cartéis poderosíssimos.

O próprio tráfico é violento, envolve muito dinheiro e poder, as gangues rivais disputam territórios em trocas de tiros nas periferias entre as próprias gangues e em confrontos com a polícia.

Morrem policiais, morrem os pequenos traficantes e morrem muitas pessoas inocentes.

Se esse cenário não mudar, o combate ao tráfico nunca acabará.

Policiais se orgulham de prender um pequeno traficante e horas depois surge outro no lugar. É um ciclo sem fim.

O Uruguai é pioneiro no assunto legalização da maconha. Foi o primeiro país no mundo a legalizar o cultivo, a comercialização e distribuição da erva.

O Uruguai reduziu a zero o número de mortes ligadas ao uso e comércio da maconha. A legalização foi decretada pelo presidente José Mujica em 2014.

Então, fica claro que se não existir mais tiroteios entre policiais e criminosos, sobra mais tempo para a polícia cuidar de assassinatos, estupros, assaltos, sequestros e outro crimes violentos.

 

4 – Crescimento da economia e geração de empregos

legalização da maconha no brasil gera empregos
Foto: Marc Lester / ADN

A indústria canábica está literalmente pegando fogo nos Estados Unidos.

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A regulamentação da produção e do comércio da maconha e seus derivados se mostrou um modelo de negócio extremamente lucrativo por lá. Estamos falando de bilhões de dólares.

A maconha legalizada movimentou R$ 19,5 bilhões nos EUA em 2015. É um mercado gigantesco!

A venda de maconha legalizada pode render R$ 14,2 bilhões por ano  ao Canadá.

Essa também poderia ser a nossa realidade, aquecendo a economia e gerando empregos, mas toda essa grana vai para as mãos de criminosos, infelizmente.

Nos EUA o mercado está bastante movimentado e criou várias vagas de empregos, que não existiam antes da legalização.

Entre os empregos gerados pela indústria canábica, posso destacar as seguintes áreas:

  • Professores especializados em maconha
  • Manicure de plantas
  • Cura e armazenamento
  • Cultivadores
  • Médicos especializados em terapia canábica
  • Extratores de concentrados
  • Chef/cozinheiro canábico
  • Especialistas em vidros
  • Budtender
  • Distribuidores de sementes

Já falei um puco sobre cada profissão acima nesse outro artigo aqui.

 

5 – Milhões de pessoas poderão se tratar com maconha medicinal

legalização da maconha no brasil pessoas poderão se tratar com maconha medicinal
Foto: LattaPictures / Getty Images

Porque eu falo em milhões e não em milhares? Simples, somos um país com mais de 208 milhões de pessoas e a maconha trata tudo quanto é tipo de doença que se possa imaginar, desde doenças terminais como o câncer, passando pelo Glaucoma e até crises de ansiedade.

São dezenas, talvez centenas de doenças que podem ser tratadas com a maconha medicinal.

Porque tirar o direito das pessoas de se tratarem de uma forma mais natural e menos prejudicial ao organismo?

O National Institute on Drug Abuse (Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos EUA) já admitiu que a maconha tem benefícios medicinais e o governo Americano também já assumiu que a maconha tem o poder de matar células cancerosas.

A maconha tem resultados positivos comprovados no tratamento das seguintes doenças: Glaucoma, Mal de Parkinson, epilepsia, insônia, enxaqueca, AIDS, câncer, TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), síndrome de Tourette, mal de Alzheimer, distrofia muscular, fibromialgia, caquexia e esclerose lateral amiotróficaesclerose múltipla, náusea decorrente da quimioterapia, doença de Crohn, artrite e falta de apetite, anorexia, dentre outras.

É de extrema urgência dar a essas pessoas mais uma alternativa de tratamento. Afinal, usar drogas farmacológicas não é nada saudável e o uso da maconha medicinal tem se mostrado bem menos prejudicial ao organismo dos pacientes.

 

6 – Mais liberdade para cientistas e pesquisadores

legalização da maconha no brasil liberdade para pesquisadores
Foto: Pixabay

Após decisão judicial, a ANVISA passou a autorizar desde o dia 21/03/16 a prescrição e importação de medicamentos com derivados da maconha, inclusive o THC.

A agência disse que vai recorrer da decisão por achar que a decisão fere tratados internacionais.

Nota-se que ela não está nem um pouco interessada na saúde do povo e nem na liberdade para os cientistas.

Estudos com maconha são feitos no Brasil desde a década de 30. Os primeiros estudos eram mais focados nos malefícios da maconha, quais perigos ela poderia trazer para a sociedade e também sobre os sintomas apresentados pelos usuários.

A partir da década de 60, a psicofarmacologia e a psicobiologia estudaram a planta com outros objetivos, reconhecendo as propriedades ansiolíticas e antipsicóticas da cannabis.

A cannabis é uma planta muito versátil e a ciência pode seguir vários linhas de pesquisa. Como por exemplo, produzir diferentes estirpes de plantas com proporções particulares de canabinoides para tratar determinadas doenças.

O THC continua na lista de substâncias proibidas, na prática, deixou de ser vetado e passou a ter o uso controlado.

Isso significa que ainda continua complicado para a ciência conseguir realizar estudos no Brasil.

Embora a lei que trata do assunto (a 11.343, de 2006) autorize o plantio para fins científicos, a obtenção de autorizações é difícil e excessivamente demorada.

 

7 – Restrição a menores de idade

legalização da maconha no brasil restrição a menores de idade

 

Hoje em dia, qualquer moleque de 12 anos pode ir na esquina e comprar maconha. Basta chegar lá com 5 ou 10 reais e já era, maconha, cocaína e crack facilmente na mão de qualquer um.

O traficante não quer saber a idade de quem compra, ele quer vender e lucrar.

Como o tráfico vai enfraquecer com a legalização, as opções para comprar maconha serão os lugares autorizados a vender esse tipo de produto.

Assim como acontece com o tabaco e o álcool, o governo estipulará uma idade mínima para que se possa comprar esses produtos.

É interessante ressaltar que depois da legalização, o consumo de maconha caiu entre os jovens no Colorado.

 

8 – Maconha de qualidade para usuários e pacientes

legalização da maconha no brasil maconha de qualidade
Foto: Pixabay

Deixei este último tópico para o final. Pode não parecer uma coisa tão urgente para algumas pessoas, mas para usuários e pacientes, a qualidade do que se põe para dentro do corpo, é de extrema importância.

Pergunte a qualquer fumante se ele prefere cigarros falsificados ou originais,  pergunte a qualquer cervejeiro se ele prefere cerveja com milho no lugar do trigo ou uma puro malte e finalmente pergunte a qualquer maconheiro se ele prefere prensado ou natural.

Todos têm direito de usar o que quiserem e se possível, com qualidade, afinal, ninguém quer se prejudicar e botar a saúde em risco por causa de um vinho ou uma maconha ruim, não é?

Com a legalização, o controle de qualidade será rígido por parte dos produtores. Eles sabem que vaão lidar com um público bastante exigente.

Para os usuários isso seria fantástico, mesmo pagando um pouco mais caro, as pessoas vão preferir comprar em farmácias ou em locais especializados na venda de maconha recreativa, pois saberão que lá encontrarão produtos que trarão experiências melhores em todos os sentidos.

60% da maconha consumida no Brasil é a famosa prensada do Paraguai. É uma droga mesmo, de péssima qualidade, mal plantada, mal colhida, mal armazenada, cheia de químicas e impurezas.

Chega de consumir prensados porcarias. Queremos plantar e comprar Kush de qualidade.

Espero que alguns tópicos tenham sido úteis para você que leu tudo até aqui.

Você conhece alguém que poderia se interessar pelo assunto?

Então faça um favor a ela e a mim também =)

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Não se esqueça, não tem meio termo, quem é contra a legalização é a favor do tráfico!

Até o próximo texto!

 

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