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Concentrados de maconha: Do BHO ao Rosin, Kief, Iceolator e mais

O que são concentrados de maconha?

Você já ouviu falar de extratos concentrados de maconha? Eles também são conhecidos como: 710 (a palavra “oil” de cabeça pra baixo)

Com certeza você conhece pelo menos um deles, o mais famoso e antigo: o haxixe.

Extratos concentrados de maconha são produtos de um processo de extração de canabinóides (THC, CBD, CBN etc.) que utiliza algum solvente (H2O, C2O, butano, álcool, alta temperatura etc).

O objetivo dos concentrados de maconha é eliminar toda a matéria vegetal e extrair as glândulas de resina das flores da planta fêmea da cannabis.

O resultado final é um produto de extrema qualidade e potência.

“A qualidade nunca se obtém por acaso; ela é sempre o resultado do esforço inteligente.”

– John Ruskin

Essa forma de cannabis pode ser até quatro vezes mais forte no teor de THC do que as maconhas mais fortes que existem hoje em dia que possuem uma média de 25% de THC.

Confira aqui nesse outro artigo uma lista com as 15 variedades de maconha mais potentes do mundo.

Cada tipo de extração resulta em uma concentração diferente de canabinóides. Os conhecimentos da pessoa ou empresa que faz a extração também influenciam muito na qualidade do produto final.

Tipos de concentrados de maconha

A maioria das pessoas conhecem mais o haxixe entre os concentrados de maconha. Porém a maioria dos produtos encontrados hoje têm pouca semelhança com a mistura tradicional mecanicamente separada à mão e produzida há milhares de anos em todo o mundo.

Grande parte dos produtores de concentrados da atualidade usam técnicas de extração à base de solventes, em que os óleos essenciais da planta são removidos utilizando um solvente químico específico ou uma combinação de calor e pressão.

Os consumidores de cannabis mais experientes conhecem o haxixe na forma de tijolos de tonalidades amarelas, marrons ou pretas. Eles são contrabandeados para todo o mundo a partir de lugares como o Líbano, Nepal, Afeganistão e Marrocos.

Aqui nesse artigo não vamos nos aprofundar sobre o haxixe, se você quiser saber tudo sobre leia esse outro artigo.

Continue lendo para conhecer os tipos mais famosos de concentrados de cannabis:

  • Butane Hash Oil (BHO)
  • Co2 Oil
  • Rick Simpson Oil (RSO)
  • Kief
  • Water Hash (‘Haxixe d’água’, Iceolator)
  • Rosin
  • Tinctures (Tinturas)

Butane Hash Oil (BHO)

BHO, ou Haxixe de Óleo de Butano(em tradução livre), é um concentrado extremamente potente, popularmente consumido através de métodos de vaporização.

Os canabinóides são extraídos da planta através do butano, ele deixa para trás uma cera consistente e pegajosa ou um pouco mais rígida, o produto lembra o mel das abelhas ou uma placa de acrílico cor de mel.

Devido à semelhança com o mel das abelhas, o BHO também é muito conhecido como Butane Honey Oil (Mel de Óleo de Butano – em tradução livre).

Por ser o tipo mais comum de extrato de cannabis (depois do haxixe), o BHO tem uma grande variedade de nomes (shatter, wax, dab, crumble, shatter, moonrock, oil, errl, honeycomb, nectar, etc.), mas os princípios básicos de extração são os mesmos em todos eles, com variações na aparência e na textura provenientes dos processos de finalização.

O BHO é um remédio popular para dores crônicas e outros sintomas, graças ao seu teor de THC  que geralmente testa entre 60% e 90% de THC, tornando-se, talvez, o concentrado mais forte.

Outros hidrocarbonetos, como o propano e hexano podem ser utilizados da mesma maneira que o butano. Quando se utiliza solventes diferentes, o produto final fica com a cor e o sabor diferentes.

Cuidado com a procedência, um BHO indevidamente purificado pode conter vestígios de solventes.

CO2 Oil (Óleo de CO2)

O CO2 é um extrato concentrado possível graças aos caros extratores botânicos que usam pressão e dióxido de carbono para separar o material vegetal.

Essa variedade de concentrado é feita usando dióxido de carbono comprimido a pressões elevadas até que se torne o que é conhecido como um “fluido supercrítico”, em seguida está pronto para se extrair os óleos essenciais da planta, bem como os solventes de hidrocarbonetos.

Este método é conhecido como extração fluida supercrítica e é uma das maneiras mais eficazes de reduzir a cannabis a seus compostos essenciais.

O óleo de CO2 é geralmente um óleo cor-de-laranja que pode ser transparente ou opaco, dependendo dos processos de finalização utilizados depois da extração.

Testes apontam um teor de entre 50% e 75% de THC. O apreço zapor este método deve-se ao fato de não ser inflamável e não conter solventes químicos.

As máquinas necessárias para fazer extrações de CO2 em qualquer tipo de escala comercial pode custar centenas de milhares de reais.

O óleo de cor âmbar pode ser vaporizado de várias maneiras, uma das mais populares é usando canetas vaporizadoras portáteis.

Saiba tudo sobre o mundo dos vaporizadores lendo esse outro  artigo.

Rick Simpson Oil

Rick Simpson é um ativista pró maconha medicinal que tem fornecido às pessoas informações sobre os poderes de cura do óleo de Cannabis por mais de uma década. Rick relata ter se curado de um câncer de pele metastático em 2003, e desde então tem dedicado sua vida a disseminar a verdade sobre o óleo de Cannabis.

Através da imersão da cannabis na nafta pura ou no álcool isopropílico, os compostos terapêuticos são atraídos para fora da planta, resultando em um líquido semelhante ao alcatrão depois que o solvente se evapora completamente.

Também conhecido como Phoenix Tears (Lágrimas de Fênix) o óleo do Rick Simpson Oil (RSO) pode ser administrado por via oral ou aplicado diretamente sobre a pele.

Muitos outras empresas estão vendendo suas próprias versões do óleo. Alguns são ricos em THC, enquanto outros contêm apenas os compostos não-psicoativos, como o CBD.

Nesse outro artigo mais completo sobre o assunto, você pode conhecer mais um pouco da história de Simpson e conferir a receita completa para preparar o óleo.

Kief

Kief ou Keef vem do kayf, uma palavra árabe que significa bem-estar ou prazer.

O Kief é basicamente aquele pó que fica retido na parte inferior do seu dichavador.

Aqueles dichavadores divididos em quatro seções são feitos com a intenção de reter o Kief na camada mais inferior.

Talvez você saiba que aquilo é chamado de Kief, mas você sabe o que esse material realmente é?

O Kief é o mais simples entre os concentrados. Ele é composto pelos tricomas, aqueles revestimentos cristalinos na superfície das flores, os ‘cristais de THC’.

O Kief é considerado um extrato de baixa qualidade, mas alguns extratores mais experientes conseguem fazer um produto extremamente limpo e saboroso através deste método.

Uma coisa é certa sobre o Kief: ele tem níveis de THC mais altos  do que a maconha sozinha.

Os tricomas são extraídos das flores secas por meio de telas de filtragem especiais.

Este processo quando realizado com maestria, consegue extrair os cristais de tricomas sem vestígios e caules das flores. Quanto mais escura for a cor, mais terá vestígios e mais inferior será a qualidade.

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Alguns usuários gostam de misturar um pouco de Kief às flores secas em bongs e baseados devido à sua alta potência de THC.

É comumente salpicado no topo das flores de maconha banhadas com óleo de cannabis para produzir os famosos moonrocks.

O teor de THC pode variar de 20% a 60%.

Water Hash

O Water Hash é consumido através da vaporização, mas também é frequentemente utilizado na produção de comestíveis.

Existem muitas técnicas utilizadas na produção de Water Hash e os produtos resultantes são conhecidos de muitas formas (bubble hash, solventless wax, ice wax, ice hash, iceolator, entre outros).

O princípio básico é o seguinte: mistura-se o material vegetal – seco ou congelado – com água fria e gelo. Em seguida se agita manualmente ou mecanicamente a mistura, a fim de romper os tricomas que ficam congelados e separá-los das flores. Depois são peneirados através de tecidos específicos para remover vestígios indesejáveis.

Na maioria das vezes resulta em um extrato de cor dourada para castanha com uma consistência granular.

A mais nova tendência para se extrair a máxima qualidade do Water Hash, é pressionando o produto resultante no calor entre pedaços de papel manteiga, utilizando a técnica Rosin. Isso resulta em um produto consistente, de cor bem clara e da mais alta qualidade.

As vantagens do Water Hash para outros extratos de solventes são a preservação dos terpenos(sabores e cheiros) e a beleza do produto final. Além de ser bastante potente.

O produto final é bem puro com resultados em testes entre 50% e 80% de THC.

Mas não se esqueça que para atingir altos níveis de qualidade, é preciso uma combinação de erva de qualidade, técnicas de extração e manuseio pós-extração.

Rosin

Essa técnica de extração é a mais recente na cultura canábica. A resina é extraída a partir das flores secas da Cannabis ou do Kief.

Uma particularidade do método Rosin, é que ele pode ser feito com nada mais que uma chapinha de alisar cabelos e um papel manteiga.

Basta a famosa chapinha em mãos, um papel manteiga, uma flor bem resinosa de uma planta fêmea e um pouco de pressão nisso tudo com as mãos e… tey! Está pronto um produto de alta qualidade e livre de qualquer produto químico/solventes.

Quando o material é pressionado entre a chapinha e as folhas de papel manteiga, ele expulsa alguns óleos essenciais presentes na planta. O resultando é uma resina com cor e valor de ouro.

Claro que a potência de qualquer extrato sempre vai depender da planta que foi extraído. Mas alguns testes realizados nos EUA demonstraram números entre 50% e 70% de THC para o Rosin. Nada mal.

Tinctures (Tinturas)

Antes da proibição da maconha, as tinturas eram a forma mais comum dos remédio usados na medicina canábica.

A tintura é um concentrado líquido obtido através da extração com álcool, que puxa para fora das flores secas muitos canabinóides benéficos da planta.

Tinturas atualmente estão disponíveis em diversos sabores nos países onde a maconha medicinal é legalizada, são uma ótima maneira para os pacientes se medicarem sem ter que fumar.

Algumas gotas debaixo da língua pode ser uma dose suficiente, mas os pacientes podem aplicar com segurança mais, conforme necessidade e indicação médica.

A forma de preparo é simples, basta misturar as flores secas ao álcool de cereais. Também pode ser feito com cachaça, vodka, wisky… mas isso irá alterar o sabor da tintura. Depois de algum tempo (dias ou semanas) basta filtrar o líquido cheio de THC.

É possível acelerar esse tempo cozinhando um pouco a mistura. Mas não recomendo esse método, porque é muito arriscado mexer com líquidos inflamáveis perto do fogo, beleza?

A potência pode variar, vai depender da qualidade da erva e da proporção de álcool usado na infusão. Quanto mais álcool, mais fraco vai ficar o produto final.

Uso recreativo e medicinal

Nem só para uso recreativo são feitos os extratos. Muitas vezes são usados para tratar doenças que necessitam de doses mais concentradas de canabinóides.

O futuro da cannabis está caminhando para formas concentradas e mais potentes. Especialmente porque o potencial terapêutico de métodos não-fumados é amplamente utilizado por pacientes de maconha medicinal.

É possível vaporizar, pingar uma gota debaixo da língua, fazer ingestão via oral e existem também cremes para uso tópico.

Alguns tipos de extratos apresentam 90% de THC em testes realizados. Outros são ricos em compostos não psicoativos, como o CBD. E o mais importante, não batem lombra e são efetivos no tratamento de algumas condições médicas, como a Epilepsia.

É preciso desmistificar a maconha e acabar com os preconceitos que impedem que mais pessoas possam usufruir dos seus benefícios.

Aquela velha conversa ultrapassada de chamar os usuários de maconha de “drogados” não cola mais. Que atire a primeira pedra quem não usa uma droga, seja ilegal ou legal, todo mundo usa alguma.

Café e açúcar também são drogas e viciam, matam, são amplamente usadas e produzidas em todo o mundo. Além de serem facilmente encontrados nas prateleiras de qualquer mercado.

Nos países onde a maconha foi legalizada, a mentalidade mudou e pessoas de todas as idades usam maconha para se medicar ou simplesmente para relaxar.

Desde idosos com Parkinson até crianças com Epilepsia utilizam cannabis de alguma forma para se tratarem. É preciso conscientizar e educar as pessoas para um consumo mais consciente e focado em redução de danos.

Os fora da lei

Muitas pessoas têm plantado maconha para tratar múltiplas condições médicas, principalmente pais em busca de tratamentos para seus filhos.

Não existem pais que resistam em ver seus filhos doentes, tendo convulsões, emagrecendo, sem dormir, sem brincar com outras crianças, sem estudar, enfim, sem viver a vida como uma criança normal.

A sua saúde é seu bem maior, sem saúde ficamos impossibilitados de realizar qualquer outra atividade. Se para ter saúde as pessoas tiverem que cometer o crime de cultivar maconha, o farão.

Enquanto não legalizam a produção e descriminalizam o cultivo caseiro, seguimos na luta.

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Até o próximo texto!

 

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